domingo, 18 de julho de 2010

O ESPAÇO LITÚRGICO NO MISSAL ROMANO

Deus se comunica com a gente através de sinais sensíveis. Ora, na celebração da divina Liturgia é que temos um dos lugares mais excelentes em que Deus, no Cristo e pelo Espírito Santo, comunica ao seu povo o dom de sua presença salvadora. Por isso, a Liturgia – toda ela! – é feita de sinais sensíveis. Toda ela, em todos os seus detalhes, tem – e deve ter! – sua indispensável dimensão simbólico-sacramental. A começar pelo lugar físico em que acontece a celebração litúrgica.

Quatro são os elementos fundamentais que não devem faltar na organização simbólico-sacramental do espaço litúrgico, pelos quais nos é dado perceber a presença amorosa de Deus na celebração da divina Liturgia. Valorizar a presença destes quatro elementos, com seu sentido profundamente teológico, eis um dos grandes desafios a partir da nova sensibilidade litúrgica despertada (resgatada!) a partir do Concílio Vaticano II. Cristo está real e vivamente presente na Liturgia (cf. SC 7).

Ora, tal presença deve ser percebida, sentida, como que de maneira palpável, já quando alguém entra num local preparado para uma celebração litúrgica, seja numa igreja, seja em outro espaço. O próprio espaço celebrativo, com a evidência destes quatro elementos fundamentais em destaque, deve nos comunicar esta presença.

O ALTAR

O centro de nossa fé cristã é o sacrifício de Cristo, sua total entrega por nós, confirmada pela Ressurreição, e o dom do Espírito. Ou, no dizer dos antigos santos Padres (Epifânio e Cirilo de Alexandria): Cristo se tornou para nós a vítima, o sacerdote e o altar de seu sacrifício. E pensar que esta entrega se faz presente precisamente sobre o altar de nossas igrejas, toda vez que celebramos o memorial da Páscoa, na santa Missa!

Ou, como explícita a nova Instrução Geral sobre o Missal Romano:

“O altar, onde se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais, é também a mesa do Senhor na qual o povo de Deus é convidado a participar por meio da Missa; é ainda o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia” (n.º 296). Assim sendo, o centro de tudo, sobretudo da assembléia reunida, o ponto de convergência e atenção, dentro do espaço celebrativo, tem que ser sempre o altar. E nada – e ninguém! – tem o direito de “roubar-lhe a cena”.

A razão é simples: o altar re-presenta (traz-nos sempre presente à memória) aquilo que é mais sagrado para nós, Cristo, em sua entrega total por nós, ontem, hoje e sempre. O altar é uma memória permanente de que “o altar é Cristo”. Deus nos manifesta a presença do Sacrifício de Cristo na centralidade simbólica do altar. Assim sendo, a primeira coisa que, de cara, deveria nos “encher os olhos”, já desde que entramos numa igreja para a celebração litúrgica, é a visão do altar do Sacrifício eucarístico, em torno do qual nos reunimos para o banquete pascal.

A MESA DA PALAVRA

Antes de celebrarmos o memorial do Sacrifício redentor de Cristo, Deus nos fala quando são feitas as leituras, inclusive quando se canta o Salmo responsorial (que também é palavra de Deus!). É o próprio Deus que se comunica conosco e nos comunica o seu amor, quando é proclamada a sua palavra na celebração litúrgica.

Como explicitamente diz a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II:

Cristo está presente “pela sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na igreja” (SC 7). Se assim é, pensemos na imensa dignidade desta palavra, quando ela é proclamada! Pois é palavra do próprio Deus!... Assim sendo, segundo nos orienta a nova Instrução Geral sobre o Missal Romano, “a dignidade da palavra de Deus requer, na igreja, um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra” (n.º 309).

Trata-se da mesa da Palavra, ou ambão (do grego “anabaino”, subir, porque costuma estar em posição elevada, de onde Deus fala). Cristo é o protagonista da ação litúrgica, também no ambão, o espaço reservado para a proclamação da palavra de Deus. Isto significa que este espaço possui, também ele, um sentido simbólico-sacramental de fundamental importância. Ele nos evoca a presença viva do Senhor falando para o seu povo.

O ESPAÇO DA ASSEMBLÉIA


Outro elemento fundamental de um espaço litúrgico: o lugar da assembléia. Porquê? É que a assembléia litúrgica não é uma simples congregação de pessoas, como qualquer outra. Uma vez constituída, mais que um mero ajuntamento de pessoas, ela é uma comunhão de cristãos e cristãs, dispostos a ouvir atentamente a palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia. Melhor ainda: é o próprio corpo de Cristo, cujos membros somos nós. E isto significa que, como tal, deve tratar-se de uma assembléia altamente participativa (cf. SC 14).

Assim sendo, também o espaço da assembléia deve aparecer como um “espaço do Cristo” enquanto corpo feito de muitos membros. E que todos os fiéis reunidos possam senti-lo como tal, tanto pela disposição arquitetônica geral do espaço, como pela disposição dos bancos ou cadeiras, em que todos os membros da assembléia possam sentir-se realmente como corpo bem unido, na escuta atenta da Palavra e na participação digna da Liturgia eucarística.

A CADEIRA DA PRESIDÊNCIA

Na verdade, quem preside a Liturgia é o Cristo, na pessoa do presidente da assembléia litúrgica. O sacerdote que preside a Eucaristia é o sinal sacramental de Cristo Jesus que está presente, mas de maneira invisível. Ao presidir a celebração, ao elevar a oração a Deus em nome de todos, ao explicar a palavra de Deus à comunidade, o sacerdote atua em nome deste Cristo. Por isso ele preside, ou seja, ele se senta diante de toda a assembléia, como representante do verdadeiro Presidente e Mestre, que é o Senhor Jesus.

Para isso é que a Igreja o colocou diante de todos, por mediação do bispo. Assim sendo, para visualizar o mistério da presidência de Cristo na pessoa do ministro (cf. SC 14), a Igreja recomenda que se coloque em destaque a cadeira de quem preside.

Como vemos na nova Instrução Geral sobre o Missal Romano:

“A cadeira do sacerdote celebrante deve manifestar a sua função de presidir a assembléia e dirigir a oração” (n.º 310). Em outras palavras, como já dissemos, a cadeira presidencial em destaque evoca a presença invisível do Cristo que preside a Liturgia na pessoa do ministro.

Por: Frei José Ariovaldo da Silva, ofm
Publicado no site www.pime.org.br/mundoemissao

O lugar de conservação da Santíssima Eucaristia

314. De acordo com a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes locais, o Santíssimo Sacramento seja conservado num tabernáculo, colocado em lugar de honra da igreja, suficientemente amplo, visível, devidamente decorado e que favoreça a oração[1].
Normalmente o tabernáculo seja um único, inamovível, feito de material sólido e inviolável não transparente, e fechado de tal modo que se evite ao máximo o perigo de profanação[2]. Convém, além disso, que seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico, segundo o rito descrito no Ritual Romano[3].
315. Em razão do sinal é mais conveniente que no altar em que se celebra a Missa não haja tabernáculo onde se conserva a Santíssima Eucaristia[4].
É preferível, pois, a juízo do Bispo diocesano, colocar o tabernáculo:
a) no presbitério, fora do altar da celebração, na forma e no lugar mais convenientes, não estando excluído o altar antigo que não mais é usado para a celebração (n. 303);
b) ou também numa capela apropriada para a adoração e oração privada dos fiéis[5], que esteja organicamente ligada com a igreja e visível aos fiéis.
316. Conforme antiga tradição mantenha-se perenemente acesa uma lâmpada especial junto ao tabernáculo, alimentada por óleo ou cera, pela qual se indique e se honre a presença de Cristo[6].
317. Além disso, de modo algum se esqueça tudo o mais que se prescreve, segundo as normas do Direito, sobre a conservação da Santíssima Eucaristia[7].

As imagens sagradas

318. Na liturgia terrena, a Igreja antegozando, participa da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrina, se encaminha, onde Cristo está sentado à direita de Deus, e venerando a memória dos Santos, espera fazer parte da sociedade deles[8].
Por isso, segundo antiqüíssima tradição da Igreja, as imagens do Senhor, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos sejam legitimamente apresentadas à veneração dos fiéis nos edifícios sagrados[9] e aí sejam dispostas de modo que conduzam os fiéis aos mistérios da fé que ali se celebram. Por isso, cuide-se que o seu número não aumente desordenadamente e sua disposição se faça na devida ordem, a fim de não desviarem da própria celebração a atenção dos fiéis[10]; normalmente, não haja mais de uma imagem do mesmo santo. De modo geral, procure-se na ornamentação e disposição da igreja, quanto às imagens, favorecer a piedade de toda a comunidade e a beleza e a dignidade das imagens.
arquiteturaeliturgia.blogspot.com

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